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Arquitetura

Edifício Lugones 1787

Lugones 1787, Villa Ortuzar, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina — 2026

Em um tecido urbano cada vez mais denso, Lugones 1787 propõe uma forma alternativa de moradia coletiva: espaços compactos mas generosos, onde a vegetação, a luz e o exterior cotidiano recuperam qualidades próprias da vida em uma casa. O projeto evita o excesso e a espetacularidade para se concentrar em uma arquitetura honesta, precisa e profundamente habitável, onde cada decisão espacial busca melhorar a experiência diária de quem o habita.

Tipologia Vivienda
Localização Lugones 1787, Villa Ortuzar, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina
Cliente Methaus
Ano 2026
Área 670 m²

Habitar entre interior e exterior

Lugones 1787 nasce de uma busca clara: transformar a lógica tradicional do apartamento urbano compacto em uma experiência mais próxima à de uma moradia individual. O projeto propõe um novo equilíbrio entre densidade, privacidade e contato permanente com o exterior.

Cada unidade incorpora expansões reais e utilizáveis como parte integral da moradia. Longe de entender as varandas como simples superfícies acessórias, o projeto as concebe como quartos exteriores: espaços concretos onde a vida doméstica pode se estender ao ar livre.

A continuidade entre interior e exterior se reforça mediante grandes caixilhos, vegetação integrada e uma organização espacial que busca estender a percepção do espaço além dos limites físicos da unidade.

Uma estrutura simples e robusta

O edifício se organiza a partir de uma estrutura rigorosa e contida, onde a modulação e a repetição permitem construir uma arquitetura sóbria, eficiente e atemporal. Os materiais são diretos: concreto, alumínio e vidro, aplicados sem ornamentação desnecessária.

A profundidade das varandas e a repetição das lajes geram uma fachada com forte presença horizontal, onde os cheios e vazios constroem um ritmo sereno e equilibrado que evita o excesso compositivo.

Essa busca de honestidade material atravessa também os interiores, onde os espaços priorizam clareza, flexibilidade e permanência acima de recursos efêmeros ou decorativos.

A vegetação como infraestrutura arquitetônica

A incorporação de vegetação não aparece no projeto como um recurso cenográfico, mas como parte constitutiva da arquitetura. As varandas verdes funcionam como filtros de luz, reguladores de temperatura, geradores de privacidade e conectores visuais com o entorno.

As expansões incorporam sistemas de irrigação integrados e jardineiras projetadas como parte fixa da arquitetura, construindo uma continuidade vegetal visível tanto do interior das unidades quanto da rua.

A fachada muda com o tempo, incorporando crescimento, sombra e variação natural como parte de sua identidade.

Espaços compactos, vida contemporânea

O projeto trabalha sobre uma otimização precisa das superfícies sem cair na sensação de compactação extrema habitual em grande parte da moradia urbana contemporânea.

As cozinhas integradas, o mobiliário incorporado e a concentração eficiente de instalações permitem liberar superfície útil e construir espaços domésticos mais abertos e flexíveis.

A arquitetura evita os excessos tecnológicos e os amenities artificiais para se concentrar no verdadeiramente essencial: boa luz, ventilação, materialidade nobre, exterior real e qualidade espacial permanente.

Um edifício de baixa densidade para um tecido em transformação

Localizado dentro do corredor DOHO, no limite entre Villa Urquiza e Belgrano R, Lugones 1787 se insere em um bairro que atravessa um processo de transformação progressiva, onde a escala e a qualidade do espaço público são ainda valores presentes e possíveis.

O edifício adota uma escala deliberadamente contida, evitando a lógica de maximização extrema para priorizar qualidade espacial, privacidade e relação com o entorno imediato.

Mais do que um objeto autônomo, o projeto busca se integrar silenciosamente ao tecido urbano existente, aportando densidade habitacional sem perder escala humana nem relação com o espaço público.

Créditos
ProyectoArq. Elena LeguíaArq. Guillermo Yias
Modo escuro
Simplificado