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LY Arquitectos
01 Manifesto

O mundo que vem

Do subscripcionismo à autonomia

01
Manifesto Do subscripcionismo à autonomia
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Há uma diferença importante entre não saber e escolher não olhar. Durante décadas construímos cidades, edifícios e modos de vida sobre a convicção tácita de que o sistema continuaria funcionando indefinidamente. Essa convicção não foi o resultado de uma análise — foi o resultado da comodidade. O sistema funcionava, e enquanto funciona ninguém tem incentivo para se perguntar o que aconteceria se deixasse de funcionar. O incentivo aparece, sempre, tarde demais. E quando aparece, os edifícios já estão construídos. As cidades já têm sua forma. As dependências já estão incorporadas no concreto, nos canos, nos metros quadrados que não produzem nada e não se sustentam sozinhos.

Autónoma parte de uma convicção diferente: levantar o olhar é uma responsabilidade. Não uma opção filosófica para os que têm tempo de pensar, mas uma obrigação concreta de quem projeta o ambiente em que vivemos. Um edifício que se constrói hoje habitará o mundo de 2080, de 2100. Nenhum arquiteto, nenhum desenvolvedor, nenhum Estado pode saber com certeza quais condições climáticas, energéticas ou geopolíticas definirão esse mundo. O que se pode saber é que projetar assumindo a estabilidade perpétua do modelo atual é uma aposta que a história não avaliza. Nunca avalizou.

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