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Arquitetura

4 casas Leguizamón

Pasaje Doctor Honorio Leguizamon 3800, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina — 2025

O projeto surge como resposta a uma condição urbana particularmente instável. De um lado, a escala baixa e silenciosa da passagem; do outro, a densidade e altura crescente de uma rua altamente edificada. Entre ambas as situações existe uma tensão difícil de absorver a partir das tipologias tradicionais de moradia. A arquitetura surge precisamente dentro desse ponto de fricção. Nem torre nem casa isolada. Nem edifício compacto nem moradia suburbana.

Tipologia Vivienda
Estado Em projeto
Localização Pasaje Doctor Honorio Leguizamon 3800, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina
Cliente Methaus
Ano 2025
Área 750 m²

A proposta busca construir uma condição intermediária capaz de vincular duas formas completamente distintas de habitar a cidade. Em vez de reproduzir a lógica repetitiva do edifício de renda convencional, a arquitetura desenvolve uma nova forma de densidade habitacional capaz de articular a escala da passagem com a intensidade da rua consolidada.

Cada unidade mantém sua própria lógica doméstica, com sequências espaciais, expansões, pés-direitos duplos e relações visuais internas mais próximas de uma casa urbana contemporânea do que de um apartamento compacto. A planta livre, a seção e as relações visuais trabalham juntas para construir uma experiência espacial mais complexa e surpreendente.

A arquitetura não tenta ocultar essa dualidade.
Pelo contrário, torna-a visível.

Elevar o cotidiano

O térreo funciona como um umbral urbano contido e silencioso. Ali se concentram os acessos, as garagens e os espaços de guarda, enquanto a vida doméstica começa a se construir a partir do primeiro nível para cima.

A decisão de elevar os espaços principais não responde apenas a uma questão funcional ou normativa. Existe uma busca mais precisa: separar a experiência cotidiana da cidade e construir um interior mais privado e tranquilo dentro de um entorno urbano de alta densidade.

Ao subir a escada, a percepção muda abruptamente. A cidade desaparece parcialmente e as vistas começam a se vincular com as copas das árvores, a luz do nordeste e o céu. O espaço urbano imediato torna-se mais distante, mais silencioso.

No primeiro nível, cozinha, sala de jantar e sala de estar se integram em um único espaço contínuo. A arquitetura evita a compartimentação desnecessária e propõe uma espacialidade ampla e versátil, capaz de se adaptar a diferentes formas de uso cotidiano.

Os pés-direitos duplos situados junto à fachada aprofundam ainda mais essa sensação de expansão. A seção torna-se então o verdadeiro organizador do projeto: um dispositivo capaz de multiplicar a riqueza espacial além do que a superfície em planta permitiria sugerir.

A casa em corte

Mais do que trabalhar sobre a planta, o projeto foi pensado a partir do corte.

A organização vertical de cada unidade permite sobrepor diferentes graus de intimidade sem perder continuidade espacial. A área social ocupa o nível mais aberto e luminoso; os quartos e áreas íntimas se localizam nos andares superiores, com maior privacidade e controle visual a partir da unidade.

A relação visual entre os níveis evita que os espaços sejam percebidos de forma isolada. A luz atravessa longitudinalmente a unidade, enquanto as vistas cruzadas ampliam a percepção do espaço habitável e constroem uma continuidade espacial enriquecida.

No último nível, a sequência culmina em uma terraço privativa concebida como expansão direta da vida doméstica. Um quarto adicional, a lavanderia e a churrasqueira completam o programa, dotando cada unidade de uma superfície exterior utilizável e diferenciada.

O bloco suspenso

Volumetricamente, o edifício se apresenta como uma peça monolítica de concreto suspensa sobre uma base escura e recuada.

O grande balanço sobre a esquina enfatiza deliberadamente a condição de peso e equilíbrio instável do conjunto. A arquitetura não busca leveza; busca presença.

Frente aos edifícios vizinhos, o projeto responde a partir de uma materialidade robusta e silenciosa capaz de se sustentar dentro de uma escala urbana muito mais intensa sem perder sua própria lógica compositiva.

Concreto aparente, alumínio escuro, vidro e vegetação integrada constroem uma linguagem contida e duradoura, onde cada material expressa diretamente sua condição física sem recorrer a revestimentos ou tratamentos superficiais desnecessários.

A fachada vegetal orientada para o nordeste cumpre um papel central dentro dessa estratégia. Mais do que um gesto ornamental, funciona como um segundo invólucro ambiental capaz de filtrar a luz, reduzir o ganho térmico, incorporar biodiversidade e construir uma relação visual ativa com o espaço público.

A arquitetura torna-se então mais ambígua: pesada e permeável ao mesmo tempo. Mineral em direção à cidade, doméstica em direção ao interior.

Habitar entre árvores e densidade urbana

Em um entorno urbano marcado pelo crescimento acelerado e pela sobreposição de escalas, o projeto propõe uma forma alternativa de densidade doméstica.

Uma arquitetura capaz de absorver as tensões entre casa e edifício, entre intimidade e cidade, entre expansão e compactação, utilizando o corte, a luz e a vegetação como ferramentas principais do projeto.

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