Planta de Envase e Depósito de Matéria-Prima Vegetal
Finca El Pongo, Jujuy, Argentina — 2023
Arquitetura
Perico, Jujuy, Argentina — 2022
A transformação da Finca El Pongo em um complexo agroindustrial e biotecnológico de escala internacional não começou com um edifício, mas com uma pergunta territorial: como ordenar, conectar e projetar uma infraestrutura capaz de sustentar uma nova indústria em pleno processo de expansão. Sobre mais de 160 hectares de paisagem produtiva jujenha, o estúdio desenvolveu entre 2022 e 2023 um masterplan integral que reorganizou fluxos, usos do solo, sistemas operativos, infraestrutura e crescimento futuro dentro do campus da Cannava.
No coração da Finca El Pongo, sobre mais de 160 hectares de produção agrícola e paisagem histórica jujenha, o estúdio desenvolveu entre 2022 e 2023 o plano mestre integral para o complexo agroindustrial e biotecnológico da Cannava.
Quando a equipe chegou à fazenda, grande parte da documentação existente estava incompleta, fragmentada ou simplesmente inexistente. Não havia uma base planimétrica consolidada nem um registro preciso dos sistemas de infraestrutura, água, estradas e edificações existentes.
Cada vala de irrigação, cada drenagem, cada edifício, cada estrada e cada instalação foram percorridos, medidos e documentados. O projeto incorporou ainda entrevistas estratégicas com todos os responsáveis operativos da fazenda para construir uma compreensão completa de seu funcionamento real.
O resultado foi muito mais do que um masterplan convencional. Foi a construção de uma inteligência territorial capaz de coordenar crescimento, produção, logística, infraestrutura e paisagem dentro de uma visão de longo prazo.
A complexidade do projeto residia no fato de que a fazenda não funcionava como um parque industrial isolado, mas como um ecossistema híbrido onde conviviam cultivos, laboratórios, sistemas de irrigação históricos, zonas protegidas, edificações patrimoniais e novas construções em plena expansão.
O masterplan propôs então uma nova estrutura organizativa do território: um zoneamento claro, flexível e escalável, capaz de acompanhar o crescimento acelerado da operação sem comprometer os valores paisagísticos, patrimoniais e ambientais do lugar.
O trabalho incluiu:
A escala territorial obrigou a pensar o projeto quase como uma pequena cidade industrial em transformação permanente.


O plano mestre integrou uma série de edifícios estratégicos desenvolvidos pelo estúdio junto a arquitetos e engenheiros locais de Jujuy. Cada um respondia a necessidades técnicas, operativas e ambientais específicas dentro do campus.
Entre os projetos incorporados ao masterplan estão:
O complexo de fornos de secagem, por exemplo, foi concebido como uma grande plataforma operativa para maquinaria agrícola e sistemas industriais de secagem, integrada sob uma cobertura única que coordena fluxos, espaços técnicos e circulações de maneira eficiente.
A arquitetura não se colocou como um conjunto de objetos autônomos, mas como um sistema coordenado de produção, circulação e crescimento.

Um dos aspectos centrais do projeto foi o estudo detalhado dos fluxos produtivos do cannabis medicinal. O masterplan modelou os percursos completos do produto desde o cultivo até o armazenamento e despacho final, identificando gargalos, oportunidades de otimização e necessidades futuras de expansão.
Esses esquemas permitiram:
A fazenda começou então a ser pensada como uma infraestrutura dinâmica, onde arquitetura, logística e produção funcionavam de maneira simultânea.

Longe de impor uma lógica industrial isolada do entorno, o projeto buscou se integrar à estrutura agrícola e paisagística existente de El Pongo.
As valas de irrigação históricas, os sistemas de irrigação, as pendentes naturais e a vegetação existente passaram a fazer parte ativa do design territorial. A paisagem deixou de ser fundo para se tornar estrutura.
O masterplan incorporou ainda critérios de sustentabilidade e eficiência em grande escala:
A intenção não era apenas construir mais, mas construir com capacidade de adaptação.
Talvez o aspecto mais complexo do trabalho tenha sido organizacional.
O estúdio não apenas desenvolveu arquitetura e infraestrutura: também colaborou na construção de novas metodologias de coordenação e planejamento para uma operação de enorme complexidade operativa e temporal.
Conformou-se e coordenou-se ainda uma equipe local de arquitetos jujenhos para sustentar o levantamento, documentação e manutenção evolutiva da fazenda.
Nesse sentido, o masterplan funcionou simultaneamente como projeto arquitetônico, ferramenta operativa e plataforma de gestão territorial.
O projeto para a Finca El Pongo representa uma das experiências de planejamento agroindustrial e biotecnológico mais complexas desenvolvidas pelo estúdio.
Mais do que projetar edifícios isolados, o trabalho consistiu em projetar relações: entre produção e paisagem, entre infraestrutura e território, entre crescimento industrial e preservação ambiental.
Em uma indústria emergente, atravessada por mudanças tecnológicas, regulatórias e produtivas permanentes, o verdadeiro desafio não era apenas construir arquitetura, mas construir estrutura onde não existia estrutura.